A Endesa assinou um convênio com o estado do Rio de Janeiro e a Prefeitura de Búzios para criar uma "cidade inteligente" do ponto de vista energético, em um projeto pioneiro tanto no Brasil como no conjunto da América Latina, informou nesta terça-feira (12/07) a empresa espanhola.
A "Cidade Inteligente Búzios", com tecnologias provadas por empresas do grupo italiano Enel (acionista de referência da Endesa), contará com uma rede inteligente de distribuição de energia elétrica capaz de integrar toda a geração existente, as energias renováveis e os veículos elétricos.
O projeto, que quer se transformar em uma referência do consumo eficiente, será desenvolvido pela empresa Ampla, distribuidora da Endesa no estado do Rio de Janeiro. A instalação de contadores inteligentes e de novos sistemas de automatização da rede permitirá reduzir as perdas de energia e aumentar a qualidade e a segurança da provisão.
Entre os benefícios desta iniciativa se destacam a possibilidade de aplicar tarifas diferenciadas de acordo com o horário de consumo, a capacidade de controlar o consumo por cada aparelho em tempo real - o que melhorará a eficiência energética nos edifícios públicos - e a possibilidade de seguir em tempo real as despesas de energia.
A cidade contará com automóveis e bicicletas elétricas inteligentes, pontos de recarga de energia e pontos de geração de energias renováveis: solar e eólica. A iluminação será feita com novas lâmpadas LED, mais eficientes, com luminárias de geração eólica e pontos de luz telegerenciados. Todas estas melhorias contribuirão também para reduzir as emissões de dióxido de carbono, assinalou Endesa.
Mais de 1 bilhão de chineses e outros asiáticos acreditam que ingerir o chifre de rinoceronte em forma de pó diluído é uma receita infalível contra uma infinidade de males, entre eles pressão alta, febre, artrite, inflamações em geral, câncer e até aids. Na realidade, o chifre desse animal é feito da mesma substância que forma as unhas e os cabelos dos seres humanos, a queratina, e o efeito terapêutico de seu consumo é idêntico ao obtido quando alguém rói as próprias unhas, ou seja, nenhum.
Há décadas, a caça ao rinoceronte para recolher seus chifres mantém a espécie na lista dos animais ameaçados de extinção. Nos últimos anos, porém, a situação se tornou crítica. A prosperidade econômica da China e de alguns de seus vizinhos fez multiplicar a demanda por chifres. O quilo do produto tornou-se tão caro quanto o de ouro - vale 60 000 dólares. Antes, só poucos chineses abonados podiam bancar tratamentos com o ingrediente. Meio milhão de chineses já estão na categoria de milionários e o grupo aumenta ao ritmo médio de 10% ao ano. Ou seja, há dinheiro de sobra para bancar a crendice perversa. O mesmo ocorre no Vietnã, que também se beneficia de ventos econômicos favoráveis. O resultado é que a matança de rinocerontes na África do Sul, onde se encontram 90% dos exemplares da espécie, explodiu.
A média de rinocerontes abatidos por caçadores na década passada era de doze por ano. Em 2010, foram mortos 333 animais. No primeiro trimestre deste ano, foram 138. A população de rinocerontes-negros na África soma apenas 4 800 exemplares. A de rinocerontes-brancos, 20 000. Se a caça continuar no ritmo atual, o animal entrará definitivamente na lista vermelha da extinção.
Nos anos 70, o comércio de chifres de rinoceronte foi proibido por meio de um tratado internacional assinado até hoje por 175 países, inclusive pela China. Os únicos resultados práticos do documento foram que o abate passou a ser feito por caçadores clandestinos e o comércio de chifres, no mercado negro. Com o aumento da demanda e dos preços, a caça não apenas se intensificou como se modernizou. Os caçadores, a serviço de grandes quadrilhas internacionais contrabandistas de animais, usam helicópteros, binóculos de visão noturna e armas de grosso calibre para localizar e abater suas presas.
A extinção de qualquer espécie é uma perda inestimável. Mas é particularmente perturbador que o declínio de uma espécie magnífica, que habita a Terra há mais de 5 milhões de anos, seja causado por uma crença sem base racional alguma. Os chifres de rinoceronte já foram analisados por laboratórios europeus e americanos, sempre com resultado idêntico; não oferecem nenhuma qualidade terapêutica. Os poderes a eles atribuídos são apenas parte do conjunto de superstições que compõem a medicina tradicional chinesa, bastante popular no Extremo Oriente. O rinoceronte não é a única presa indefesa do curandeirismo. A medicina chinesa acredita que as características de um animal são transmitidas a quem come sua carne.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Crimes contra natureza crescem 300% em Minas Gerais
A agressão ao meio ambiente em Minas acende o sinal vermelho para o desrespeito à natureza e se traduz em números assustadores. O total de crimes ambientais do estado que chegam à Justiça Federal teve um salto de mais de 300% na comparação entre os três primeiros meses deste ano e o mesmo período de 2007. A estatística supera até o índice nacional, que apresenta um aumento de 230% nos dois últimos anos.
Os dados são do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF 1), que julga os processos de Minas, Bahia, Goiás, Piauí e Distrito Federal, além dos nove estados que compõem a Amazônia Legal (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão). As ocorrências serão tema do seminário Aliança Brasil – França: na defesa do meio ambiente, que será realizado na sexta-feira, em Brasília.
Segundo balanço do TRF 1, fechado no fim de março, há 3.120 processos de crimes ambientais cometidos em Minas tramitando na primeira instância da Justiça Federal, em Brasília. No somatório dos 14 estados que compõem a 1ª Região do tribunal, esse número chega a 21,1 mil casos. No estado, os crimes contra o meio ambiente ligados ao patrimônio genético respondem por 40% do total, com mais de 1,2 mil ocorrências registradas até 25 de março deste ano. São casos de agressão, dano ou contrabando de plantas, raízes, sementes e animais – vivos ou mortos – e de invasão de bancos de dados genéticos para exploração da biodiversidade pelas indústrias química e farmacêutica.
Nesse cenário de exploração ilegal, Minas se encontra na rota do tráfico de espécies da flora e da fauna da Amazônia para as regiões Sudeste e Sul do país. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), 11% da madeira retirada da floresta amazônica é comercializada em terras mineiras, o que faz do estado o segundo maior consumidor desse produto, atrás apenas de São Paulo, que responde por 23%. Em decorrência disso, Minas foi o centro da Operação Guardiões das Montanhas, um trabalho conjunto do Ibama, das polícias Militar (PM) e Rodoviária Federal (PRF) e da Receita Estadual, feito em maio e junho do ano passado, com o objetivo de coibir o comércio e o transporte clandestino da madeira amazonense.
Além de processos na Justiça Federal, a ação rendeu mais de R$ 10 milhões em multas e apreensão de 600 metros cúbicos de madeira. Cerca de 6 mil caminhões foram vistoriados e 10 mil madeireiras fiscalizadas no estado, sendo 150 delas em Belo Horizonte. Segundo o coordenador da operação e chefe do escritório regional do Ibama em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, Aloísio Romar, os agentes conferem a medição, a espécie e a origem do produto comercializado e ainda exigem a documentação correta. “O comerciante precisa ter em mãos o Documento de Origem Florestal (DOF) para não ser autuado. O Norte do país é o maior fornecedor de madeira para o Sul e Sudeste e Minas está no corredor do tráfico de madeira e animais silvestres”, diz Romar.
Animais
Canários-da-terra, trinca-ferros, papagaios, araras, jabutis, tartarugas, iguanas e jaguatiricas. Essas são algumas espécies arrancadas do seu hábitat todos os dias e que engrossam a estatística do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama. Apenas em BH, a unidade recebe uma média de 12 mil animais apreendidos por ano – número quatro vezes maior que em 2003. “Ainda não há um sentimento arraigado na sociedade de que manter essas espécies em cativeiro é um crime, é impedir que elas se reproduzam em liberdade. A experiência nos mostra que a legislação ambiental é eficiente, mas falta conscientização das pessoas. Temos que levar a lei ao conhecimento da população, com exemplos e numa linguagem simples e acessível”, defende o juiz titular da 5ª Vara Federal de Belo Horizonte, João Batista Ribeiro.
O aumento do número de processos de crimes ambientais na Justiça Federal é atribuído, pelo Sistema Estadual de Meio Ambiente (Sisema), ao maior rigor na fiscalização. “Com a integração dos órgãos de controle, temos cerca de 150 fiscais trabalhando junto com 1,6 mil homens da Polícia Militar de Meio Ambiente em todo o estado. O efetivo ainda não é suficiente, mas isso já nos permite chegar aos 853 municípios mineiros com mais facilidade. O aumento da fiscalização leva os infratores a assumirem um novo posicionamento”, afirma o secretário-executivo do Comitê Gestor de Fiscalização Integrado do Sisema, Paulo Teodoro de Carvalho.
Os dados são do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF 1), que julga os processos de Minas, Bahia, Goiás, Piauí e Distrito Federal, além dos nove estados que compõem a Amazônia Legal (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão). As ocorrências serão tema do seminário Aliança Brasil – França: na defesa do meio ambiente, que será realizado na sexta-feira, em Brasília.
Segundo balanço do TRF 1, fechado no fim de março, há 3.120 processos de crimes ambientais cometidos em Minas tramitando na primeira instância da Justiça Federal, em Brasília. No somatório dos 14 estados que compõem a 1ª Região do tribunal, esse número chega a 21,1 mil casos. No estado, os crimes contra o meio ambiente ligados ao patrimônio genético respondem por 40% do total, com mais de 1,2 mil ocorrências registradas até 25 de março deste ano. São casos de agressão, dano ou contrabando de plantas, raízes, sementes e animais – vivos ou mortos – e de invasão de bancos de dados genéticos para exploração da biodiversidade pelas indústrias química e farmacêutica.
Nesse cenário de exploração ilegal, Minas se encontra na rota do tráfico de espécies da flora e da fauna da Amazônia para as regiões Sudeste e Sul do país. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), 11% da madeira retirada da floresta amazônica é comercializada em terras mineiras, o que faz do estado o segundo maior consumidor desse produto, atrás apenas de São Paulo, que responde por 23%. Em decorrência disso, Minas foi o centro da Operação Guardiões das Montanhas, um trabalho conjunto do Ibama, das polícias Militar (PM) e Rodoviária Federal (PRF) e da Receita Estadual, feito em maio e junho do ano passado, com o objetivo de coibir o comércio e o transporte clandestino da madeira amazonense.
Além de processos na Justiça Federal, a ação rendeu mais de R$ 10 milhões em multas e apreensão de 600 metros cúbicos de madeira. Cerca de 6 mil caminhões foram vistoriados e 10 mil madeireiras fiscalizadas no estado, sendo 150 delas em Belo Horizonte. Segundo o coordenador da operação e chefe do escritório regional do Ibama em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, Aloísio Romar, os agentes conferem a medição, a espécie e a origem do produto comercializado e ainda exigem a documentação correta. “O comerciante precisa ter em mãos o Documento de Origem Florestal (DOF) para não ser autuado. O Norte do país é o maior fornecedor de madeira para o Sul e Sudeste e Minas está no corredor do tráfico de madeira e animais silvestres”, diz Romar.
Animais
Canários-da-terra, trinca-ferros, papagaios, araras, jabutis, tartarugas, iguanas e jaguatiricas. Essas são algumas espécies arrancadas do seu hábitat todos os dias e que engrossam a estatística do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama. Apenas em BH, a unidade recebe uma média de 12 mil animais apreendidos por ano – número quatro vezes maior que em 2003. “Ainda não há um sentimento arraigado na sociedade de que manter essas espécies em cativeiro é um crime, é impedir que elas se reproduzam em liberdade. A experiência nos mostra que a legislação ambiental é eficiente, mas falta conscientização das pessoas. Temos que levar a lei ao conhecimento da população, com exemplos e numa linguagem simples e acessível”, defende o juiz titular da 5ª Vara Federal de Belo Horizonte, João Batista Ribeiro.
O aumento do número de processos de crimes ambientais na Justiça Federal é atribuído, pelo Sistema Estadual de Meio Ambiente (Sisema), ao maior rigor na fiscalização. “Com a integração dos órgãos de controle, temos cerca de 150 fiscais trabalhando junto com 1,6 mil homens da Polícia Militar de Meio Ambiente em todo o estado. O efetivo ainda não é suficiente, mas isso já nos permite chegar aos 853 municípios mineiros com mais facilidade. O aumento da fiscalização leva os infratores a assumirem um novo posicionamento”, afirma o secretário-executivo do Comitê Gestor de Fiscalização Integrado do Sisema, Paulo Teodoro de Carvalho.
Ibama solta araras na natureza em Brasília
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) soltou, nesta semana, oito araras-canindé na natureza, em um hotel fazenda perto de Brasília. A reintrodução dessas aves no meio ambiente faz parte do projeto “Araras Livres”, que pretende readaptar na natureza aves provenientes do tráfico ilegal e que estavam em criadouros conservacionistas.
“O depósito desses animais em criadouros não deve ser algo permanente, mas temporário, enquanto a causa que deu origem à apreensão é transitada e julgada pelo Ibama”, disse Anderson do Valle, analista ambiental do instituto.
“Das oito araras, apenas uma não voou. Duas estão desaparecidas e as demais voam e voltam aos poleiros construídos na copa de buritizais. Está sendo feito também o monitoramento diário dos animais para verificar o sucesso de fixação deles na natureza”, disse Valle.
A infra-estrutura montada nas copas dos buritizais será reaproveitada nas próximas etapas do projeto, que se estenderá por mais um mês. “Apesar do receio dos técnicos, considerando a dificuldade de soltura, os resultados parciais são bons”, afirmou o analista.
“O depósito desses animais em criadouros não deve ser algo permanente, mas temporário, enquanto a causa que deu origem à apreensão é transitada e julgada pelo Ibama”, disse Anderson do Valle, analista ambiental do instituto.
“Das oito araras, apenas uma não voou. Duas estão desaparecidas e as demais voam e voltam aos poleiros construídos na copa de buritizais. Está sendo feito também o monitoramento diário dos animais para verificar o sucesso de fixação deles na natureza”, disse Valle.
A infra-estrutura montada nas copas dos buritizais será reaproveitada nas próximas etapas do projeto, que se estenderá por mais um mês. “Apesar do receio dos técnicos, considerando a dificuldade de soltura, os resultados parciais são bons”, afirmou o analista.
Projeto quer fotografar em 3D todas as espécies de formigas conhecidas
Cientistas da Academia de Ciências da Califórnia iniciaram um projeto para fazer imagens digitais e superdetalhadas de todas as cerca de 12 mil espécies de formigas conhecidas da ciência.
"São insetos incríveis", diz o pesquisador-chefe do projeto, Brian Fisher. "As formigas inventaram (o conceito de) cultivo agrícola muito antes que os humanos."
Fisher criou o projeto AntWeb (www.antweb.org), que já oferece imagens detalhadas de mais de 5 mil espécies catalogadas. O cientista agora planeja viajar pelo mundo com as imagens, exibindo-as em museus.
As fotos foram produzidas com um software chamado Auto-Montage 3D, desenvolvido na Grã-Bretanha. Ele tira e combina diferentes imagens em 3D, cada uma com um plano diferente de foco.
O catálogo ficará disponível online, para servir de fonte de informação para pesquisadores.
Segundo Fisher, ainda há muito o que descobrir sobre as formigas. "Descobrimos apenas cerca de 15% das espécies existentes na Terra", disse o especialista. "E as pessoas parecem mais interessadas em descobrir se há vida em Marte do que (identificar) as outras 85%. Acho que, em parte, isso acontece porque não vemos o incrível mundo escondido (habitado pelas formigas)." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
"São insetos incríveis", diz o pesquisador-chefe do projeto, Brian Fisher. "As formigas inventaram (o conceito de) cultivo agrícola muito antes que os humanos."
Fisher criou o projeto AntWeb (www.antweb.org), que já oferece imagens detalhadas de mais de 5 mil espécies catalogadas. O cientista agora planeja viajar pelo mundo com as imagens, exibindo-as em museus.
As fotos foram produzidas com um software chamado Auto-Montage 3D, desenvolvido na Grã-Bretanha. Ele tira e combina diferentes imagens em 3D, cada uma com um plano diferente de foco.
O catálogo ficará disponível online, para servir de fonte de informação para pesquisadores.
Segundo Fisher, ainda há muito o que descobrir sobre as formigas. "Descobrimos apenas cerca de 15% das espécies existentes na Terra", disse o especialista. "E as pessoas parecem mais interessadas em descobrir se há vida em Marte do que (identificar) as outras 85%. Acho que, em parte, isso acontece porque não vemos o incrível mundo escondido (habitado pelas formigas)." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
Jabuti ganha 'prótese' com rodinha de brinquedo
Um jabuti fêmea recebeu uma roda de plástico para substituir uma de suas patas que foi devorada por ratos enquanto ela hibernava.
A "prótese" improvisada a partir de um brinquedo infantil permitirá que a jabuti Tuly retome pelo menos parte dos movimentos, segundo a organização que está cuidando do animal, Norfolk Tortoise Club, na Inglaterra.
A ferida foi descoberta pelo dono do animal por acaso durante uma visita de rotina ao local onde ela vivia.
Imediatamente, os veterinários foram chamados para salvar o réptil.
Por sorte, eles acreditam, Tuly conseguiu resistir ao ataque apesar de seu estado de sonolência.
"Depois de uma operação para estabilizar os ferimentos, que poderiam ser fatais, percebemos que ela estava danificando um dos lados do casco quando caminhava", disse a porta-voz da organização, Eleanor Tirtasana, ao jornal Eastern Daily Press.
"Com a roda de um carrinho de brinquedo, ela agora pode rolar por aí livremente." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
Tópicos: Inglaterra, Grã-bretanha, Tartaruga, Norfolk, Animais, Veterinário, Mundo animal, Natureza, Vida, Planeta
Mia Couto: errar é biológico
"Sou escritor e cientista", costuma dizer o mais famoso literato africano contemporâneo, o moçambicano Mia Couto, de 55 anos, também dono de longo currículo como biólogo. Formado pela Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, capital de seu país, Mia divide-se entre a biologia e os livros. Seu romance Terra Sonâmbula, escrito em 1992 e lançado no Brasil pela Companhia das Letras, é uma das referências da moderna literatura africana. Suas obras já foram traduzidas para seis idiomas e publicadas em mais de 20 países.
Em 1996, ao lado de quatro amigos biólogos, Mia fundou, em Moçambique, uma empresa que realiza estudos sobre impacto ambiental. Trabalha nela até hoje. "Os maiores problemas ambientais têm a ver com a miséria", dispara o escritor, que faz críticas a ecologistas e ao racionalismo da ciência. "Sou um grande adepto do erro", poetiza.
Você foi primeiro escritor ou biólogo?
Desde muito jovem eu queria escrever. Tinha paixão pela poesia, sobretudo no começo de minha carreira, mas também sonhava em viver dentro de uma reserva, em um parque. Queria ser guia turístico, trabalhar com bichos, com grandes mamíferos. A biologia surgiu assim. Percebo nela uma linguagem própria, um caminho para a identificação dos idiomas que a natureza nos oferece para entendê-la.
E como se dá o diálogo entre ciência e literatura?
Na minha visão, ambas deveriam ser movidas pelo sabor da descoberta. Mas, infelizmente, percebo que a ciência deixou de ter essa inquietação, essa capacidade de se espantar, de inquirir. Ela foi aos poucos sendo substituída pela rotina burocrática - o cientista tornou-se um funcionário das grandes empresas. Mas ele precisa ir além. Precisa romper as estruturas e questionar as lógicas que são colocadas, mesmo se está a serviço de uma multinacional. Apenas produzir para o mercado limita a ciência, que fica restrita ao estudo de fatos isolados. O mesmo acontece com a escrita literária. Ela só tem início, de verdade, quando não está apenas contando uma história, mas transformando em causa todo o nosso passado.
Esta é a proposta que eu faço na literatura e na ciência - a de questionar. Embora os desastres causados por uma cheia na foz de um rio, por exemplo, ou mesmo o efeito estufa sejam obras da natureza, é preciso interrogar quais são as razões sociais e políticas que permitiram o surgimento de vítimas - pessoas que se alojaram em áreas de risco, que se tornaram miseráveis e sem alternativa. Em nome de salvar a natureza, "naturalizou-se" aquilo que era social, histórico. Essa é uma grande armadilha.
Você é um dos donos de uma empresa que estuda o impacto ambiental. Como conseguem evitar esse quadro?
Éramos quatro biólogos que tinham a seu favor a paixão pela profissão e a vontade de querer marcar diferença do ponto de vista da ética. Hoje, nossa empresa tem 21 consultores - historiadores, sociólogos, antropólogos, economistas de recursos naturais. Nós nunca abordamos o ambiente como um conjunto de passarinhos e borboletas, e sim na sua relação com as pessoas. Dessa forma, tentamos escapar dessa armadilha, pois abordamos a questão ambiental não apenas em seu aspecto biológico, físico, mas também social.
Para mim, não existe ambiente que não seja humanizado e, por isso, muitas vezes, nossos inimigos são os próprios ecologistas fundamentalistas. Refiro-me a esse discurso de separação homem-natureza, de supervalorização dos biomas intactos. Por causa de um sapo ou de uma pequena ave age-se em detrimento do homem. É preciso resgatar a ecologia que interroga aquilo que são seus próprios pressupostos, não apenas do meio ambiente mas de tudo que está a sua volta, de sua relação com a economia, com a sociedade. É hora de resgatar uma ecologia que proponha novos modos de olhar o mundo, novas civilizações mais sustentáveis. Hoje, em nome da baleia, em nome do golfinho, o homem acaba por ser levado para o gueto. É preciso salvar os animais, as plantas, mas também devemos salvar as pessoas, dentro de um sistema de vida que não as empurre para a miséria.
O que você propõe para essa relação entre homem e ambiente?
Essa relação já se estabelece dentro de nós, na diversidade de seres que nos constituem. Quando tiro um pedaço de pele ou um fio de cabelo ou um pedaço do intestino e o ponho no microscópio, o que vejo são outros tipos de vida. Verifico que só somos seres humanos porque boa parte do que nos constitui não é humana. São milhões de vidas dentro nós. Dependemos de animais como bactérias, fungos. Quando começamos a entender isso, há alguma coisa que muda em nosso pensamento.
A ecologia e a ciência perderam esse elo com o homem?
A ciência atual é encomendada; toda a descoberta tem de se enquadrar naquilo que alguém diz que é viável. O cientista deve ser o primeiro a não permitir que a linguagem científica se torne um discurso tão imperativo.
Favelas, floresta e incertezas na rota da obra mais cara e longa de São Paulo
É em um morro no alto da Serra da Cantareira, a 26 quilômetros do centro de São Paulo, que tem início o futuro Trecho Norte do Rodoanel. O atual traçado, de pouco mais de 44 km, passa pelo meio de favelas e sítios, cruza topos no meio da mata com 590 metros de altitude em relação ao Rio Tietê e atravessa uma dezena de córregos até chegar a Arujá, onde se interliga com a Rodovia Presidente Dutra.
Tiago Queiroz/AE
Sem medo. ‘Já faz uns dez anos que falam desse Rodoanel’, conta Celso Salvador de Oliveira
A construção de uma obra de R$ 5,8 bilhões no meio de uma área de preservação ambiental tem rendido questionamentos jurídicos semanais para o governo do Estado. A pressão já resultou em quatro alterações no traçado. Ambientalistas e moradores apreensivos buscam frear a construção junto a órgãos como Ministério Público e Defensoria do Estado. De olho nas eleições de 2012, políticos também prometem ajuda às famílias para barrar as remoções - 2,7 mil moradias devem ser desapropriadas.
Em seu percurso acidentado e irregular no meio da mata, o Trecho Norte está sempre ao lado ou bem perto de uma favela. Para o motorista que vai sair da Rodovia dos Bandeirantes e entrar na pista, na altura do número 8.700 da Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, a vista descortina um emaranhado de barracos que se estende por morros desde o início da estrada na capital, em Perus, até quase o fim, já perto de Guarulhos.
Ao fundo das favelas, o visual em segundo plano é de um gigantismo impressionante: a metrópole, o Rio Tietê e um chapéu de fumaça sobre a imensidão de prédios no horizonte. Em alguns momentos, o caminho chega a lembrar a geografia dos morros cariocas, com casas construídas em ladeiras cercadas por mato e ao lado de enormes rochas. O clima tem frescor serrano, úmido, com friozinho agradável. Tanto que o cheiro da mata predomina ao longo do traçado, apesar de as ocupações não terem esgoto ou coleta regular de lixo.

No alto dos morros do Parque Taipas, na altura do km 6 do futuro Rodoanel, pequenos fios de água brotam das pedras e garantem o abastecimento da favela que não para de crescer logo abaixo. A ocupação com clima rural vai sumir para a construção da rodovia, o que tem levado apreensão aos moradores. "Comprei o terreno em 1994, sem escritura. Não tenho medo de sair, já faz uns dez anos que falam desse Rodoanel. Acho que essa estrada não sai mais", diz o agricultor Celso Salvador de Oliveira, de 53 anos. Ele é dono de um sítio que começa em uma rua aberta por ele mesmo e acaba em uma rocha da serra.
Oportunismo. O medo das famílias se mistura ao oportunismo de alguns vizinhos de áreas que não serão desapropriadas. A reportagem do Estado flagrou três terrenos sendo abertos no meio da mata, no Parque Taipas, na altura do número 1.670 da Avenida Fernando Mendes de Almeida. Segundo moradores, são pessoas interessadas em receber indenização do governo.
"O pessoal não para de abrir terreno no meio da serra. É gente que nem mora aqui e só quer a indenização", diz Sonia Nascimento, de 32 anos. Ela é dona do único mercadinho que funciona no ponto alto da serra ocupado por barracos. "Gosto do morro, acostumei a morar no frio, sem barulho. Não quero sair."
Com ou sem Trecho Norte, é difícil acreditar que as franjas verdes que restaram da Cantareira não vão desaparecer. As favelas incham floresta adentro e a todo momento é possível ver, no alto da serra, clarões de terra abertos e preparados para receber novos barracos. O governo, por sua vez, defende que a estrada vai funcionar como "barreira" contra novas ocupações e diz prever R$ 25 milhões em compensações ambientais - 0,5% do custo do Rodoanel, estimado em R$ 5,8 bilhões.
Condomínios. O traçado segue um caminho sinuoso perto do Horto Florestal. Nessa parte, em vez de favelas, é possível ver alguns condomínios de luxo também construídos dentro da serra e os sobrados no alto do Jardim Tremembé. Mas o Rodoanel vai passar ao lado dos condomínios, que não serão desapropriados.
O trecho a partir do Horto contorna pedreiras nas encostas da serra e só atinge moradias de baixa renda, o que também se repete no Jaçanã e dentro de Guarulhos. Nesse município da Grande São Paulo, a Dersa já realizou duas alterações no projeto, desviando a pista de uma área de proteção ambiental, de moradores antigos e de um terreno da Prefeitura reservado para uma estação de tratamento de esgoto. Em outro desvio, o governo evitou que a obra isolasse um bairro da cidade - com a mudança, porém, o trajeto passará por uma área verde de proteção permanente.
Decisão. Polêmicas à parte, quem vai bater o martelo sobre o trajeto final é o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), órgão responsável pelo licenciamento ambiental. As apostas são de que o conselho não vai contrariar a vontade do governo, como já ocorreu em grandes obras polêmicas mais recentes - casos da ampliação da Marginal do Tietê e da construção do Trecho Sul do Rodoanel.
Tiago Queiroz/AE
Sem medo. ‘Já faz uns dez anos que falam desse Rodoanel’, conta Celso Salvador de Oliveira
A construção de uma obra de R$ 5,8 bilhões no meio de uma área de preservação ambiental tem rendido questionamentos jurídicos semanais para o governo do Estado. A pressão já resultou em quatro alterações no traçado. Ambientalistas e moradores apreensivos buscam frear a construção junto a órgãos como Ministério Público e Defensoria do Estado. De olho nas eleições de 2012, políticos também prometem ajuda às famílias para barrar as remoções - 2,7 mil moradias devem ser desapropriadas.
Em seu percurso acidentado e irregular no meio da mata, o Trecho Norte está sempre ao lado ou bem perto de uma favela. Para o motorista que vai sair da Rodovia dos Bandeirantes e entrar na pista, na altura do número 8.700 da Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, a vista descortina um emaranhado de barracos que se estende por morros desde o início da estrada na capital, em Perus, até quase o fim, já perto de Guarulhos.
Ao fundo das favelas, o visual em segundo plano é de um gigantismo impressionante: a metrópole, o Rio Tietê e um chapéu de fumaça sobre a imensidão de prédios no horizonte. Em alguns momentos, o caminho chega a lembrar a geografia dos morros cariocas, com casas construídas em ladeiras cercadas por mato e ao lado de enormes rochas. O clima tem frescor serrano, úmido, com friozinho agradável. Tanto que o cheiro da mata predomina ao longo do traçado, apesar de as ocupações não terem esgoto ou coleta regular de lixo.
No alto dos morros do Parque Taipas, na altura do km 6 do futuro Rodoanel, pequenos fios de água brotam das pedras e garantem o abastecimento da favela que não para de crescer logo abaixo. A ocupação com clima rural vai sumir para a construção da rodovia, o que tem levado apreensão aos moradores. "Comprei o terreno em 1994, sem escritura. Não tenho medo de sair, já faz uns dez anos que falam desse Rodoanel. Acho que essa estrada não sai mais", diz o agricultor Celso Salvador de Oliveira, de 53 anos. Ele é dono de um sítio que começa em uma rua aberta por ele mesmo e acaba em uma rocha da serra.
Oportunismo. O medo das famílias se mistura ao oportunismo de alguns vizinhos de áreas que não serão desapropriadas. A reportagem do Estado flagrou três terrenos sendo abertos no meio da mata, no Parque Taipas, na altura do número 1.670 da Avenida Fernando Mendes de Almeida. Segundo moradores, são pessoas interessadas em receber indenização do governo.
"O pessoal não para de abrir terreno no meio da serra. É gente que nem mora aqui e só quer a indenização", diz Sonia Nascimento, de 32 anos. Ela é dona do único mercadinho que funciona no ponto alto da serra ocupado por barracos. "Gosto do morro, acostumei a morar no frio, sem barulho. Não quero sair."
Com ou sem Trecho Norte, é difícil acreditar que as franjas verdes que restaram da Cantareira não vão desaparecer. As favelas incham floresta adentro e a todo momento é possível ver, no alto da serra, clarões de terra abertos e preparados para receber novos barracos. O governo, por sua vez, defende que a estrada vai funcionar como "barreira" contra novas ocupações e diz prever R$ 25 milhões em compensações ambientais - 0,5% do custo do Rodoanel, estimado em R$ 5,8 bilhões.
Condomínios. O traçado segue um caminho sinuoso perto do Horto Florestal. Nessa parte, em vez de favelas, é possível ver alguns condomínios de luxo também construídos dentro da serra e os sobrados no alto do Jardim Tremembé. Mas o Rodoanel vai passar ao lado dos condomínios, que não serão desapropriados.
O trecho a partir do Horto contorna pedreiras nas encostas da serra e só atinge moradias de baixa renda, o que também se repete no Jaçanã e dentro de Guarulhos. Nesse município da Grande São Paulo, a Dersa já realizou duas alterações no projeto, desviando a pista de uma área de proteção ambiental, de moradores antigos e de um terreno da Prefeitura reservado para uma estação de tratamento de esgoto. Em outro desvio, o governo evitou que a obra isolasse um bairro da cidade - com a mudança, porém, o trajeto passará por uma área verde de proteção permanente.
Decisão. Polêmicas à parte, quem vai bater o martelo sobre o trajeto final é o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), órgão responsável pelo licenciamento ambiental. As apostas são de que o conselho não vai contrariar a vontade do governo, como já ocorreu em grandes obras polêmicas mais recentes - casos da ampliação da Marginal do Tietê e da construção do Trecho Sul do Rodoanel.
Favelas, floresta e incertezas na rota do Rodoanel
É em um morro no alto da Serra da Cantareira, a 26 quilômetros do centro de São Paulo, que tem início o futuro Trecho Norte do Rodoanel. O atual traçado, de pouco mais de 44 km, passa pelo meio de favelas e sítios, cruza topos no meio da mata com 590 metros de altitude em relação ao Rio Tietê e atravessa uma dezena de córregos até chegar a Arujá, onde se interliga com a Rodovia Presidente Dutra.
A construção de uma obra de R$ 5,8 bilhões no meio de uma área de preservação ambiental tem rendido questionamentos jurídicos semanais para o governo do Estado. A pressão já resultou em quatro alterações no traçado. Ambientalistas e moradores apreensivos buscam frear a construção junto a órgãos como Ministério Público e Defensoria do Estado. De olho nas eleições de 2012, políticos também prometem ajuda às famílias para barrar as remoções - 2,7 mil moradias devem ser desapropriadas.
Em seu percurso acidentado e irregular no meio da mata, o Trecho Norte está sempre ao lado ou bem perto de uma favela. Com ou sem Trecho Norte, é difícil acreditar que as franjas verdes que restaram da Cantareira não vão desaparecer. As favelas incham floresta adentro e a todo momento é possível ver, no alto da serra, clarões de terra abertos e preparados para receber novos barracos. O governo, por sua vez, defende que a estrada vai funcionar como "barreira" contra novas ocupações e diz prever R$ 25 milhões em compensações ambientais - 0,5% do custo do Rodoanel, estimado em R$ 5,8 bilhões.
O traçado segue um caminho sinuoso perto do Horto Florestal. Nessa parte, em vez de favelas, é possível ver alguns condomínios de luxo também construídos dentro da serra. Mas o Rodoanel vai passar ao lado dos condomínios, que não serão desapropriados. O trecho a partir do Horto contorna pedreiras nas encostas da serra e só atinge moradias de baixa renda, o que também se repete no Jaçanã e dentro de Guarulhos. Nesse município da Grande São Paulo, a Dersa já realizou duas alterações no projeto, desviando a pista de uma área de proteção ambiental, de moradores antigos e de um terreno da Prefeitura reservado para uma estação de tratamento de esgoto. Em outro desvio, o governo evitou que a obra isolasse um bairro da cidade - com a mudança, porém, o trajeto passará por uma área verde de proteção permanente.
Polêmicas à parte, quem vai bater o martelo sobre o trajeto final é o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), órgão responsável pelo licenciamento ambiental. As apostas são de que o conselho não vai contrariar a vontade do governo, como já ocorreu em grandes obras polêmicas mais recentes - casos da ampliação da Marginal do Tietê e da construção do Trecho Sul do Rodoanel.
As informações são do jornal O Estado de S.Paulo
A construção de uma obra de R$ 5,8 bilhões no meio de uma área de preservação ambiental tem rendido questionamentos jurídicos semanais para o governo do Estado. A pressão já resultou em quatro alterações no traçado. Ambientalistas e moradores apreensivos buscam frear a construção junto a órgãos como Ministério Público e Defensoria do Estado. De olho nas eleições de 2012, políticos também prometem ajuda às famílias para barrar as remoções - 2,7 mil moradias devem ser desapropriadas.
Em seu percurso acidentado e irregular no meio da mata, o Trecho Norte está sempre ao lado ou bem perto de uma favela. Com ou sem Trecho Norte, é difícil acreditar que as franjas verdes que restaram da Cantareira não vão desaparecer. As favelas incham floresta adentro e a todo momento é possível ver, no alto da serra, clarões de terra abertos e preparados para receber novos barracos. O governo, por sua vez, defende que a estrada vai funcionar como "barreira" contra novas ocupações e diz prever R$ 25 milhões em compensações ambientais - 0,5% do custo do Rodoanel, estimado em R$ 5,8 bilhões.
O traçado segue um caminho sinuoso perto do Horto Florestal. Nessa parte, em vez de favelas, é possível ver alguns condomínios de luxo também construídos dentro da serra. Mas o Rodoanel vai passar ao lado dos condomínios, que não serão desapropriados. O trecho a partir do Horto contorna pedreiras nas encostas da serra e só atinge moradias de baixa renda, o que também se repete no Jaçanã e dentro de Guarulhos. Nesse município da Grande São Paulo, a Dersa já realizou duas alterações no projeto, desviando a pista de uma área de proteção ambiental, de moradores antigos e de um terreno da Prefeitura reservado para uma estação de tratamento de esgoto. Em outro desvio, o governo evitou que a obra isolasse um bairro da cidade - com a mudança, porém, o trajeto passará por uma área verde de proteção permanente.
Polêmicas à parte, quem vai bater o martelo sobre o trajeto final é o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), órgão responsável pelo licenciamento ambiental. As apostas são de que o conselho não vai contrariar a vontade do governo, como já ocorreu em grandes obras polêmicas mais recentes - casos da ampliação da Marginal do Tietê e da construção do Trecho Sul do Rodoanel.
As informações são do jornal O Estado de S.Paulo
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